AÇÃO DE FORMAÇÃO TÉCNICO DE APOIO À VÍTIMA
Maio 11, 2018
Nova Casa Abrigo de Bragança deverá começar a ser construída este Verão
Junho 22, 2018” As organizações que trabalham no apoio às vítimas de violência doméstica pediram hoje, em Bragança, uma mudança rápida da lei que obrigue os agressores a saírem de casa e agrave as penas e medidas de afastamento.”
“Alguns dos constrangimentos e dificuldades com que se deparam “dependem logo da lei”, como foi apontado neste Encontro da Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica, em que ficou expressa a necessidade de “haver uma mudança legislativa o mais rápido possível” e que, em vez das vítimas, passem a ser retirados de casa os agressores.
“Quem tem de tomar essa decisão é o legislador, que faz com que um crime que só é punido até cinco anos de pena de prisão, no máximo, não preveja prisão preventiva, não preveja a aplicação de medidas de coação urgente e as pulseiras eletrónicas são escassas para poder fazer vigilância eletrónica às medidas de afastamento”, apontou Teresa Fernandes, responsável pelo Núcleo de Apoio à Vítima do Distrito de Bragança.
Este núcleo foi o promotor do encontro que decorreu nos últimos três dias e que juntou as diferentes entidades nacionais, do continente e das ilhas, em Bragança, para refletir sobre as políticas públicas de prevenção e combate à violência doméstica e de género e partilhar as boas práticas no âmbito do atendimento e acolhimento de vítimas.
Entre os constrangimentos que estas organizações encontram sobressai o facto de, nos casos em que é necessário intervir de emergência para segurança das vítimas, terem de ser estas a ser retiradas da casa de família e não os agressores.
“Era muito mais simples se fosse o agressor a sair porque só é um, enquanto eu tenho agregados familiares com duas, três, quatro, cinco pessoas, portanto são eles que têm de sair”, afirmou.
Não havendo uma mudança legislativa que aumentasse a pena de prisão acima dos cinco anos, em que já pode ser aplicada a prisão preventiva, a forma como isto se podia resolver seria, “pelo menos, a aplicação de medidas de afastamento da residência, onde os agressores fossem obrigados a sair, mas com vigilância eletrónica para se ter aqui alguma segurança e alguma proteção de facto à vítima”, acrescentou.
“O que se faz é que se abrem novas casas de emergência e novas casas-abrigo porque, não havendo essa mudança legal, temos de pôr as vítimas em algum lado, pelo menos protegê-los. Tem de haver uma alteração à lei, é a única forma de resolver”, reiterou.
Em Portugal existem 36 casas-abrigos e 12 de acolhimento de emergência para vítimas de violência doméstica, que estão sempre lotadas.
A retirada das vítimas e filhos para estes locais coloca “desde logo dificuldades porque implica deslocar agregados familiares que muitas vezes têm crianças que estão a frequentar a escola, que têm processos clínicos nos seus centros de saúde com médico de família” e que são “desenraizadas”.
A técnica, que lida há vários anos com casos de violência doméstica, vincou que este processo “nem sempre se consegue de forma fácil e rápida”, sobretudo quando envolve grandes distâncias.
“Então, no Interior tudo que seja processo de autonomização das vítimas é muito mais complicado, porque há pouco trabalho, os apoios sociais não chegam para a pessoa se autonomizar, há pouca oferta de casas. Nem que se queira arrendar uma casa, é muito mais difícil: aqui, porque não há, no Litoral porque as rendas são caríssimas”, exemplificou.
A Comissão para Igualdade do Género é a responsável por esta rede de respostas a nível nacional, que inclui um atendimento de maior proximidade, o que está a ser conseguido com parcerias com os municípios, como indicou o delegado regional do norte, Manuel Albano.
O dirigente acredita que a rede de resposta é “cada vez mais eficaz e presente territorialmente” e que os números, que dão conta de um aumento das denúncias, “também refletem esta política de proximidade”, com as pessoas mais sensibilizadas para a problemática. ”
Notícia publicada a 22 de Junho de 2018 no site sapo.pt, leia a notícia completa AQUI


